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sexta-feira, 7 de março de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
Militares
terça-feira, 4 de março de 2014 O Plano “B” dos militares (pela via eleitoral e não golpista) cresce nos quartéis e também na Internet.
Se confirmar sua candidatura, o general Augusto Heleno pode complicar o cenário da sucessão presidencial.
Revista ISTO É
Data: 02/03/2014
Página: 30
O candidato dos milicos
Movimento surgido na caserna e que já conta com o apoio de mais de cinco milhões de pessoas quer lançar o general Augusto Heleno, chefe da missão brasileira no Haiti, para concorrer à presidência da República
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)
Aos 66 anos, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira é um fenômeno que não aparece nas pesquisas de intenção de voto nem frequenta as análises políticas convencionais. Na internet, porém, sua eventual candidatura à Presidência da República tem feito sucesso. Conforme dirigentes de 68 associações de militares da reserva, que costumam refletir o pensamento de boa parte da caserna, o movimento "general Heleno presidente" alcançou nas últimas semanas o apoio de 5,7 milhões de eleitores. Uma ordem de grandeza respeitável em qualquer circunstância. Apesar desses números, o general Heleno, que foi comandante militar da Amazônia, e também esteve à frente das tropas da ONU que mantêm a ordem no Haiti, construindo uma rara liderança fardada nascida após a democratização do País, tem tudo para se transformar na principal estrela de um movimento de caráter simbólico. Oficial da reserva desde maio de 2011, ele teria de ter preenchido alguma ficha de filiação partidária até outubro do ano passado para poder disputar a eleição e até agora não se posicionou sobre isso. Seus aliados não confirmam nenhuma vinculação partidária do general, embora também não descartem a possibilidade de este ser um segredo estratégico. O certo é que, com o apoio que tem recebido, o general não será um eleitor qualquer.
POLÊMICO
O general Augusto Heleno: ele disse que a política indigenista do governo Lula era "lamentável, para não dizer caótica"
O sucesso do general na internet tem explicação. Num universo político em que os principais candidatos têm uma postura que admite apenas mudanças de tonalidades cinzentas entre o centro e o centro-esquerda, com receio de descontentar eleitores desconfiados da propaganda eleitoral, o general apresenta um discurso conservador que um bom número de eleitores gosta de ouvir. Ele tornou-se uma celebridade instantânea ao dizer que a política indigenista do governo Luiz Inácio Lula da Silva era "lamentável, para não dizer caótica," afirmação que lhe custou o comando militar da Amazônia. De lá para cá, ironizou o "passado ilibado" de Renan Calheiros, criticou a política econômica do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e chamou o acordo do Mercosul de um "mero tratado bolivariano". Heleno já definiu o ex-ministro José Dirceu como o "maior colecionador de rabos presos" da República. Aliados e amigos do general afirmam que, ainda que a legislação impeça uma candidatura própria, irão entrar na campanha como parte de um "movimento anti-PT." O capitão Augusto Rosa, um dos mais ativos aliados do general, faz críticas ao programa Bolsa-Família que a oposição civil abandonou há muitos anos. "Estamos criando uma geração de pais vagabundos que não servem de referência para os filhos."
O discurso conservador não faz do general Heleno um defensor do golpe militar de 1964, mas aos mais próximos ele gosta de repetir uma afirmação pouco convicta sobre os valores democráticos. "Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim", diz, citando uma frase cubana. A boa notícia em torno da liderança do general é que, desde a redemocratização do País, é a primeira vez que se consolida entre as Forças Armadas um movimento que pretende se valer do voto e das vias democráticas para colocar suas posições. Os militares que se articulam em volta de Heleno pretendem formar o Partido Militar Brasileiro, PMB, que anuncia ter conseguido filiar 490 mil eleitores para obter registro no TSE - se todas as fichas forem regulares, faltarão 80 mil para que possa chegar ao registro definitivo. Por enquanto, a exemplo do que acontece com os simpatizantes da Rede, de Marina Silva, os candidatos que apoiam a criação do PMB estão espalhados por outros partidos ou usando o PRTB como "sigla franqueada" para disputar as eleições de 2014. O deputado comunista Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal que fez fama na Operação Satiagraha, já assinou sua ficha de apoio e milita pela criação do partido. Através de seu site, Protógenes costuma pedir aos eleitores que façam o mesmo. Outro aliado seguro é o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que se dedica a organizar o partido no Rio de Janeiro e é um nostálgico assumido da ditadura. Longe da política, mas famoso no meio militar, o primeiro astronauta brasileiro, o coronel da Aeronáutica Marcos Pontes, também fará parte do diretório de São Paulo.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, Eliezer Rizzo, analisa a emergência do descontentamento militar como parte do descontentamento geral do funcionalismo com os salários. No governo Lula, relembra, o Planalto investiu em plano de recuperação salarial do funcionalismo e ganhou a simpatia geral, inclusive dos fardados. Mas essa política foi abandonada no governo Dilma, levando a uma reação previsível nas repartições e na caserna. Para Eliezer Rizzo um movimento dessa natureza faz parte natural dos regimes democráticos. "É preferível ter um partido pró-militares disputando eleições a ter grupos em atitude de confronto com o sistema democrático. Grande parte da população considera a democracia como frágil, corrupta, inoperante, como se um regime forte e antidemocrático não padecesse de situação similar. Mas o regime democrático pode perfeitamente incorporar essa iniciativa."
Os militares estão misturados à política brasileira desde a Proclamação da República, que foi obra de um golpe militar. Depois de Deodoro e Floriano, os dois primeiros presidentes, o Brasil teve um terceiro general presidente, Eurico Dutra. Além deles, no pós-guerra surgiram dois candidatos competitivos, ainda que derrotados nas urnas, o brigadeiro Eduardo Gomes e o general Henrique Lott. Uma diferença é que esses candidatos nasceram no interior de partidos civis, enquanto o movimento que carrega o general Heleno nasceu no universo militar, em suas famílias e associações de reservistas. Os militares têm causas que seduzem muitos eleitores, como o combate às cotas raciais e também ao casamento entre homossexuais. Sua agenda, no entanto, tem vários elementos típicos da caserna. O Partido Militar Brasileiro denuncia a investigação conduzida pela Comissão da Verdade em torno dos crimes do regime como uma forma de revanchismo. Embora determinadas atitudes da Comissão possam mesmo estimular a interpretação de que se trata de um movimento "revanchista", ela cumpre um papel necessário, indispensável à democratização que se defronta com a memória da tortura. No próximo 31 de março, data que foi retirada do calendário das celebrações militares pela presidenta Dilma Rousseff, o general Heleno vai dar uma palestra sobre a deposição de João Goulart para um grupo de maçons de Brasília.
terça-feira, 4 de março de 2014
Os valores morais já não mais estão em moda...
Tempos muito difíceis vivemos no Brasil atual..., extremamente ‘bicudos’ – diriam os de linguajar mais antigo. Que futuro nos aguarda?
Desnecessário se faz elencarmos a indignidade, os desmandos, a corrupção, a desfaçatez, a hipocrisia, enfim, as aberrações a que somos obrigados – com espanto, a observar diariamente estampadas nas manchetes dos noticiários, de todos os veículos de comunicação – sem qualquer exceção, e com elas conviver...
Até quando estaremos condenados a, parafraseando Diógenes, permanecer com um lampião nas mãos em busca de um homem de verdade para governar nosso país e extirpar de vez o cancro petralha do governo?
L.N.Sanches
27/02/2014
às 17:44 \ Direto ao Ponto
O PT está eufórico com a grande notícia: os companheiros presidiários não são quadrilheiros. São apenas corruptos
“O PT não róba nem dexa robá”, recitava José Dirceu antes da descoberta do mensalão. Hoje, como resumiu Joelmir Betting, o partido dos ex-presos políticos se tornou um partido de políticos presos.
Antes do julgamento do mensalão, Dirceu reinava na Casa Civil, governava o PT e sonhava com a presidência da República. Hoje só reina na cela S13 da Papuda e sonha com a vida fora da cadeia.
Antes do mensalão, a seita que tem como único Deus um palanque ambulante posava de detentora do monopólio da ética. Nesta quinta-feira, a notícia de que os companheiros presidiários escaparam do regime fechado foi suficiente para antecipar o Carnaval dos devotos de Lula. O PT, quem diria, está grávido de felicidade com a decisão que anulou a condenação de Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares pelo crime de formação de quadrilha. Graças à bancada dos ministros da defesa, o STF resolveu que os três delinquentes não devem ser qualificados de quadrilheiros. Vão continuar engaiolados porque são apenas corruptos.
Mensalão
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Crítica ao “voto político” que poupa a quadrilha do mensalão pode ser a saideira de Barbosa do STF
A
revolta contra o que chamou de “voto político” em favor dos réus
condenados por formação de quadrilha no mensalão tende a ser um dos
últimos gritos de guerra de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal
Federal. Tudo indica que Barbosa vai antecipar sua aposentadoria. Em
princípio, não deve encarar a aventura de entrar na política. Mas, até o
final de março, tudo pode acontecer. A avaliação geral é que o
espectro da ilegitimidade ameaça tomar conta do Brasil, em curto prazo.
A
provável decisão do STF em favor dos mensaleiros, aliviando a barra na
interpretação sobre o que é formação de quadrilha, vai encarar a
porteira da impunidade para crimes do colarinho branco no Brasil,
beneficiando políticos e empresários parceiros na corrupção. Mesmo após
tal advertência feita pelo ministro Luiz Fux, a maioria de seus
companheiros preferiu aliviar a punição dos condenados na Ação Penal
470. Decisão nada surpreendente para mortais elevados ao olimpo do
Supremo pela canetada do regime petista - em pleno estado autoritário
de direito em que vivemos.
Os
petistas vão festejar duplamente a antecipada saída de Barbosa. Terão a
chance de indicar, bem depressa, mais um apadrinhado para a vaga dele.
Será mais um avanço no aparelhamento do STF – que ajudará na maioria
folgada em votações polêmicas. E com a saída imediata de Barbosa o
comando da Justiça fica com o vice Ricardo Lewandowski – que só
assumiria a presidência, normalmente, em novembro. Para completar a festa, no meio do ano, o “ex-petista” José Dias Toffoli assume a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Assim
que Barbosa sair, e for indicado mais alguém de confiança do PT para o
STF, um dos primeiros passos será a colocação em pauta de votação de
um novo questionamento da Lei de Anistia de 1979. O cenário para este
previsível espetáculo já está armado pela tal “Justiça de Transição”
(aliás, ninguém explica: transição para quê, nem para onde?), que é um
movimento patrocinado por uma ONG financiada por recursos
transnacionais.
Um
de seus alvos principais é acabar, definitivamente, com qualquer
hegemonia das forças armadas. A punição exemplar de alguns militares
como “criminosos torturadores” simbolizará a desmoralização final da
instituição militar – que é a garantidora efetiva da soberania.
Viabilizada pela revogação unilateral da Lei de Anistia (punindo apenas
os agentes do Estado e não os militantes meliantes de esquerda que
roubaram, mataram, sequestraram e praticaram atos de terror na Era
pós-1964), a esquerda cumpre seu objetivo primordial no serviço que
presta à Oligarquia Financeira Transnacional: queimar o filme dos
militares para que não possam esboçar qualquer reação – parecida com a
de 1964.
O
jogo está manjadíssimo. O primeiro ponto é garantir a hegemonia no
Legislativo e avançar na do Judiciário. O segundo é avançar no
aparelhamento do Executivo, permanecendo no poder - com a ajuda
providencial da fraude eleitoral ou do clientelismo das bolsas
vagabundagem que garante o voto de cabresto nas regiões ignorantes do
Norte-Nordeste.
O
terceiro movimento – urgente - é reconquistar a confiança e o apoio da
Oligarquia Financeira Transnacional para que tudo isso dê certo e o
sistema capimunista continue avançando no Brasil. Se tudo der certo, e
Dilma conseguir o milagre de se reeleger, a intenção imediata é a
implantação de uma assembleia para reformar a Constituição, para
adequá-la aos planos da turma do Foro de São Paulo, que sonha com mais
poder e muito dinheiro para viabilizar suas fantasias oníricas.
O
esquema petralha é ilegítimo, porque não favorece o interesse público e
nem garante os direitos individuais. Por isso, tem de ser combatido
cirurgicamente. Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira
precisam focar em uma bandeira imediata: Legitimidade, já! Só a
reconquista da Legitimidade no Brasil permitirá avanços institucionais
concretos. O ilegítimo e corrupto modelo em vigor só serve à governança
do crime organizado, através das diversas quadrilhas, que agora a
maioria do STF resolveu perdoar...
Legitimidade,
já! Sem ela, o Brasil pode mergulhar em um caos institucional que terá
repercussões negativas para o resto do mundo. A consolidação
autoritária por aqui tende a comprometer a democracia e a
sustentabilidade da economia liberal. Só com Legitimidade conseguiremos
reformular um projeto nacional federalista, com reformas políticas e
tributárias capazes de viabilizar a produção riquezas sob um regime que
respeite os valores humanos essenciais.
A
Cadeia da Legitimidade vai tirar do poder a petralhada e seus
comparsas. Eis a aposta para este ano conturbado e instável de 2014.
Mancada Suprema
O
STF deve dar pelo menos seus votos favoráveis para acatar os embargos
infringentes para reverter a condenação por formação de quadrilha de
Delúbio Soares, José Genoino, José Dirceu, José Roberto Salgado, Kátia
Rabello, Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz.
Ontem, votaram a favor deles os ministros Luiz Roberto Barroso, Cármen Lúcia, José Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.
Logo mais, eles devem contar com o reforço de Rosa Weber e Teori Zavascki.
Celso
de Mello, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello sairão derrotados, junto
com Joaquim Barbosa e o relator Luiz Fux, na defesa da manutenção da
condenação por formação de quadrilha.
Batalha verbal perdida
Sinal
dos nebulosos tempos políticos em que vivemos foi o embate, ontem, no
plenário do STF, entre o presidente Joaquim Barbosa e o ministro Luiz
Roberto Barroso.
Barroso
argumentou: “O Supremo Tribunal Federal é um espaço da razão pública, e
não das paixões inflamadas. Antes de ser exemplar e simbólica, a
Justiça precisa ser justa, sob pena de não poder ser nem um bom exemplo
nem um bom signo”.
Barbosa
retrucou: “O tempo em que essa quadrilha movimentou toda essa montanha
de dinheiro (R$ 70 milhões, comprovados), a forma como esse dinheiro
era distribuído aos parlamentares, tudo isso foi objeto de debate
intenso aqui neste plenário. Agora, Vossa Excelência me chega aqui com
uma fórmula prontinha, não é? Já proclamou inclusive o resultado do
julgamento. Vossa Excelência já disse qual é o placar antes mesmo de o
colegiado ter votado. A sua decisão não é técnica. É simplesmente
política. É isso que estou dizendo”.
Barroso
devolveu: “Para mal dos pecados de Vossa Excelência, o meu voto vale
tanto quanto de Vossa Excelência. O esforço para depreciar quem pensa
diferentemente, com todo o respeito, é um déficit civilizatório. Quem
pensa diferente de mim só pode estar mal intencionado ou com motivação
indevida: é errada essa forma de pensar. Precisamos evoluir. Discutir o
argumento e não a pessoa. É assim que se vive civilizadamente”.
Pergunta sem resposta
Barbosa
atirou novamente: “Em que dispositivo do Código Penal se encontram
esses parâmetros tarifários que Vossa Excelência está utilizando no seu
voto? Isso não existe. É pura discricionariedade de Vossa Excelência.
Admita isso”.
Dias Toffoli saiu em defesa de Barroso, atacando:
“Presidente,
vamos ouvir o voto do colega. Todos nós ouvimos Vossa Excelência votar
horas e horas, dias e dias, sem interrompê-lo”.
Barbosa chutou o balde de Toffoli: “Não seja hipócrita”.
Toffoli
fez apenas muxoxo: “Vossa Excelência não quer presidir deixando ele
proferir o voto. Só porque o voto discorda da opinião de Vossa
Excelência!”
Zé Lampião
O
relator Luiz Fux deixou claro que “a complexidade do esquema, que
atendeu a todos e a cada um dos integrantes da quadrilha, retrata a
existência de união estável de três ou mais pessoas para o cometimento
de crimes”.
Fux produziu uma imagem perfeita para defender o absurdo da absolvição aos mensaleiros no crime de quadrilha:
“O
bando de Lampião trazia desassossego assim que chegava a cidades do
interior, ofendendo a paz social. A associação (do mensalão) também
trouxe profunda intranquilidade, não para pequenas sociedades, mas para
a República, fazendo desmoronar no ideário de todos os cidadãos
brasileiros a crença na democracia. Intranquilidade social maior
dificilmente ocorrerá”.
Já que a maioria do STF preferiu jogar a favor da quadrilha, a previsão otimista de Fux não deve se concretizar...
Ataque aos militares?
As Legiões enxergaram no voto de Luiz Roberto Barroso uma menção indireta ao regime militar:
“Por
essa razão, continuaremos a viver um abominável espetáculo de
hipocrisia, em que todos apontam o dedo para todos, enquanto muitos
procuram manter ocultos os seus cadáveres no armário. Pior que tudo:
temos um sistema político que não atrai vocações, que não mobiliza a
juventude, compreensivelmente afastada pelo medo do contágio das
práticas aqui denunciadas e condenadas. Vivemos a derrota do idealismo,
diluído no argentarismo e na criminalidade política”.
segunda-feira, 3 de março de 2014
PASME-SE...: ‘Ela’ fala pelo Brasil
PASME-SE...: ‘Ela’ fala pelo Brasil
26 de fevereiro de 2014
Estado de São Paulo
Até mesmo o lusófono presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, deve ter tido sérias dificuldades para entender os dois discursos da presidente Dilma Rousseff proferidos em Bruxelas a propósito da cúpula União Europeia (UE)-Brasil. Não porque contivessem algum pensamento profundo ou recorressem a termos técnicos, mas, sim, porque estavam repletos de frases inacabadas, períodos incompreensíveis e ideias sem sentido.
Ao falar de improviso para plateias qualificadas, compostas por dirigentes e empresários europeus e brasileiros, Dilma mostrou mais uma vez todo o seu despreparo. Fosse ela uma funcionária de escalão inferior, teria levado um pito de sua chefia por expor o País ao ridículo, mas o estrago seria pequeno; como ela é a presidente, no entanto, o constrangimento é institucional, pois Dilma é a representante de todos os brasileiros - e não apenas daqueles que a bajulam e temem adverti-la sobre sua limitadíssima oratória.
Logo na abertura do discurso na sede do Conselho da União Europeia, Dilma disse que o Brasil tem interesse na pronta recuperação da economia europeia, "haja vista a diversidade e a densidade dos laços comerciais e de investimentos que existem entre os dois países" - reduzindo a UE à categoria de "país".
Em seguida, para defender a Zona Franca de Manaus, contestada pela UE, Dilma caprichou: "A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (...). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo - derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (...)". Assim, graças a Dilma, os europeus ficaram sabendo que Manaus é a capital da Amazônia, que a Zona Franca está lá para impedir o desmatamento e que as árvores são "plantadas pela natureza".
Dilma continuou a falar da Amazônia e a cometer desatinos gramaticais e atentados à lógica. "Eu quero destacar que, além de ser a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica, mas, além disso, ali tem o maior volume de água doce do planeta, e também é uma região extremamente atrativa do ponto de vista mineral. Por isso, preservá-la implica, necessariamente, isso que o governo brasileiro gasta ali. O governo brasileiro gasta um recurso bastante significativo ali, seja porque olhamos a importância do que tiramos na Rio+20 de que era possível crescer, incluir, conservar e proteger." É possível imaginar, diante de tal amontoado de palavras desconexas, a aflição dos profissionais responsáveis pela tradução simultânea.
Ao falar da importância da relação do Brasil com a UE, Dilma disse que "nós vemos como estratégica essa relação, até por isso fizemos a parceria estratégica". Em entrevista coletiva no mesmo evento, a presidente declarou que queria abordar os impasses para um acordo do Mercosul com a UE "de uma forma mais filosófica" - e, numa frase que faria Kant chorar, disse: "Eu tenho certeza que nós começamos desde 2000 a buscar essa possibilidade de apresentarmos as propostas e fazermos um acordo comercial".
Depois, em discurso a empresários, Dilma divagou, como se grande pensadora fosse, misturando Monet e Montesquieu - isto é, alhos e bugalhos. "Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa, mas alguns homens e algumas mulheres são, e por isso que as instituições têm que ser virtuosas. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando... aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com Monet." Há muito mais - tanto, que este espaço não comporta. Movida pela arrogância dos que acreditam ter mais a ensinar do que a aprender, Dilma foi a Bruxelas disposta a dar as lições de moral típicas de seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditando ser uma estadista congênita, a presidente julgou desnecessário preparar-se melhor para representar de fato os interesses do Brasil e falou como se estivesse diante de estudantes primários - um vexame para o País.
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